sábado, 30 de janeiro de 2010

Parece que foi ontem, parece que chovia


O dia era quatro de dezembro, o ano 2005, 6h da manhã. A ansiedade de estar em um jogo que podia valer mais um título para o timão era grande. Apesar de ser brasiliense, tive o privilégio de estar na final da Copa do Brasil de 2002 no Serejão contra o Brasiliense. Ali foi um verdadeiro batizado. Minha camisa preta do Corinthians tem as marcas de queimado das faíscas dos sinalizadores até hoje.

Depois de sair de casa, passei na casa do meu amigo Thiago, fiel corinthiano que está quase sempre presente comigo nos jogos do timão. O destino era Taguatinga. Dalí sairia cerca de dez ônibus cheios de fanáticos pelo time do povo. O jogo começaria às 16h, parecia estranho sair tão cedo (9h) de Brasília para uma viagem de menos de 3h. Mas com o Corinthians é tudo mais difícil. Devido a fiscalização, pessoas sem RG, menores de idade e outros problemas, a viagem para Goiânia, parecia que era para o Rio, vamos invadir o Maracanã novamente?

Muita batucada e festa durante toda a viagem. O ônibus respirava e cantava Corinthians. A chegada ao local do jogo foi tumultuada. Faltando apenas dez minutos para o início do jogo, o bus estacionou ao lado do estádio. Ingressos devidamente na mão, hora de enfrentar mais 15 minutos de fila. Lá atrás na fila, escuta-se uma voz, em meio aos gritos de CORINTHIANS, CORINTHIANS:

- Vamos rapaziada, o jogo vai começar. É Corinthians mêu!

Ao passar pelas catracas com o Thiago, hora de achar um lugar para ver o jogo:

- Bora Thiago.

- Não começou ainda, o gramado está cheio de gente.

Com as arquibancadas completamente lotadas, os fiéis torcedores se apertavam para arrumar um espaço para ver o jogo. Vendo rapidamente, parecia que as torcidas estavam divididas meio a meio, mas dava para perceber que a torcida do timão se espremia na sua parte do estádio, enquanto do lado verde do Goiás havia alguns espaços vazios.

Com atraso do início do jogo, vem uma notícia de um torcedor ao lado:

- Gol do Coritiba!

Festa geral no estádio. O Internacional precisava de uma goleada contra o Coritiba para tirar o título do Corinthians. O gol relâmpago antes do jogo do timão começar foi um alívio. Ali percebi que era só esperar os 90 minutos.

O que aconteceu todos sabem. Os “galácticos” comandados por Carlitos Tevez deram um show e apesar de não vencer, o timão fez a alegria do povão.

- Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor.

Era o que gritavam os mais de 20 mil fiéis no Serra Dourada.

Novo Bandeirão

Pela última vez na história, os Gaviões da Fiel levantaram o seu lendário bandeirão que era na época o maior do mundo. Visivelmente desgastada, a bandeira estava cheia de remendos. Nada melhor que um título brasileiro como despedida. Tocá-la pela última vez foi um sonho.

Mas a história do bandeirão histórico não acabou ali. O adereço foi cortado em vários pedaços e vendido para vários torcedores como lembrança. O dinheiro arrecado foi destinado para criação de uma nova bandeira. Esta com 15 mil metros quadrados (250m x 60m), mostra por meio dos escudos corinthianos e também dos Gaviões, a história centenária do Poderoso Timão.

Por que estou escrevendo isto? O novo (bandeirão 5) será inaugurado domingo contra o Palmeiras no Pacaembu. Eu serei mais um louco do bando que estará subindo pela primeira vez a maior de todas as bandeiras do mundo.

É a história do Corinthians e de seu povo que nos faz ser diferentes dos outros...

... Teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição.

Gaviões da Fiel levanta metade do novo Bandeirão 5

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O futuro da internet

O texto a seguir de José Paulo Cavalcanti de "O Estado de São Paulo" é uma ótima reflexão dos tempos de hoje e sobre o que supostamente vamos fazer com a internet. Ela foi criada com objetivo governamental e hoje está mudando o jeito das pessoas se comunicarem e até de se relacionarem. Confira o texto na integra.

O símbolo do herói moderno, para o filósofo italiano Umberto Galimberti (Il Gioco Delle Opinioni - O Jogo das Opiniões), deveria ser Ulisses, rei de Ítaca, por ter inventado o cavalo de Troia, em cujo ventre se esconderam soldados que à noite abriram as portas da cidade. Porque seria Ulisses portador dos valores básicos que se exigiria de uma sociedade moderna, mentira e astúcia. Retraduzindo essas palavras, para dar-lhes mínimos de dignidade, astúcia passa a ser a "capacidade de encontrar o ponto de equilíbrio entre forças contrárias". Enquanto mentir significa "habitar a distância que separa aparência e realidade"; e, também, "escapar da ingenuidade dos que acreditam que as coisas são, sempre, o que aparentam ser". Com Ulisses, inaugura-se a dupla consciência da realidade e sua máscara. É também o que se passa com a internet, na oposição aparentemente inconciliável entre o hoje e o amanhã. Posto que soluções dadas, atendendo ao que parece indispensável ou razoável no presente, serão capazes de comprometer irreversivelmente o futuro; enquanto a só espera plácida por esse futuro, hoje implausível, pode ser suficiente para degradar o presente a ponto de torná-lo intolerável.

O cenário desse aparente drama é que nos estamos convertendo em uma civilização impressentidamente nova, provavelmente nem pior nem melhor do que as anteriores. Apenas diferente. E talvez ainda não sejamos capazes de compreender, em toda a sua extensão, o "mito da idade da informação". São outros os valores, outros os padrões de organização social, outros os processos de transmissão de conhecimento, alterando as bases tradicionais da economia, da religião, da história, da própria cultura. E a questão já nem é saber se as novas tecnologias da informação vão alterar nossa maneira de viver, mas como o farão. Esse desenvolvimento extraordinário se processa em duas dimensões principais. Uma técnica, que corresponde à melhoria crescente na quantidade, na qualidade e na velocidade de transmissão da informação; outra cultural, interferindo em nossos padrões de convivência, produzindo o que François Brune (A Comunicação Social Vítima dos Negociantes) chama de "mercantilização do imaginário". Nossas cidades, não por acaso, são povoadas por cinderelas suburbanas que sonham, secretamente, com o fausto implausível de uma outra vida que nunca terão. Suspirando escondidas em seus quartos humildes, à espera do príncipe encantado em que se converte diariamente o galã da novela das 8, nas televisões; ou amigos, alguns próximos outros inatingíveis, nos orkuts da vida. Condenadas a viver vidas paralelas, como se a miséria de suas existências exigisse o contraponto desse eldorado a que se chega apenas girando um botão. Ou tocando algumas teclas.

Para o filósofo espanhol Ferrater Mora (Dicionário de Filosofia), "o paradoxo fascina porque propõe algo que parece assombroso seja como se diz que é". E o paradoxo, para a internet, é a pretensão de que deva ser, necessariamente, a única atividade livre de controles democráticos. Porque relações em comunidade são, sempre, construídas a partir de controles sociais. Temos interferências em todos os setores. No tráfego, só podemos dirigir com carteira de habilitação, o carro deve ser emplacado, o cinto de segurança é obrigatório, o sinal vermelho deve ser respeitado, temos contramão, estacionamento proibido, velocidade máxima permitida, e nunca ninguém pensou que esses limites possam violar a liberdade de locomoção, sagrada na Constituição como direito individual e cláusula pétrea. Sendo natural que algum tipo de controle social, democrático, se opere também em relação à internet. Um controle que decorrerá de sua inevitável regulamentação. A internet vai ser regulada quando estiver pronta para ser regulada. Vai mudar, precisamente, para poder ser regulada. Em outras palavras, vai poder ser regulada porque vai mudar. No futuro, claro, quando estivermos todos mortos, talvez. Provavelmente, deixando de ser a internet como a conhecemos hoje, para ser algo parecido. Mantendo só o nome. Ou nem isso.

Apenas para constar seja aqui dito que, no coração das pessoas, pouco a pouco foi-se dando a tragédia. Acabamos confiando nas máquinas cegamente. Primeiro no computador, claro. Depois na internet. Perdemos a razão crítica. Nos desacostumamos a questionar. Duvidar, para gente demais, acaba sendo heresia. Se Deus é onisciência, o novo deus da gurizada existe mesmo, e seu nome é Google (por enquanto). Segundo uma lenda moderna, máquinas não erram. Problema é que erram, por erro do programador ou por conta própria. Estamos desaprendendo a beleza de errar por nossos próprios erros. Tempos faz pesquisei onde estava a mesa, nos velhos romances; e era, sempre, o lugar mais importante da casa. O centro da vida familiar. Na sala de jantar de outros tempos nos olhávamos de frente, uns para os outros. Depois veio a televisão. A família passou a ficar no sofá, ombro a ombro, com a tela na frente. Depois de olhos nos olhos, orelha a orelha. Passamos a nos falar de lado. Sem mais dar importância ao brilho no rosto das pessoas queridas. Mas, na televisão, a gente ao menos está (quase) sempre acompanhado. Computador, ainda pior, é hábito de quem não gosta de olhar de frente. De quem não gosta de gente. Quantos de nós passamos noites inteiras na companhia dessas máquinas que só respondem o que lhes perguntamos? Sem mais tempo para encontrar os amigos. Para jogar dominó em fins de tarde. Estamos começando a viver o mundo terrível do futuro. A democracia da solidão. A conclusão dessa pequena fábula aqui contada, que nem fábula é, será só a de que essa internet de hoje vai mudar. Como também o homem que a digita. Mudarão os dois, pois. Para melhor? Não sei. Ninguém sabe.

domingo, 29 de novembro de 2009

Seis motivos para o Hexa

Faltando apenas uma rodada para terminar o Campeonato Brasileiro, a torcida do Flamengo tem pelo menos seis grandes motivos para acreditar do sexto título.

Justiça a parte, o Flamengo está com a mão na taça do BR09. Após vencer o Corinthians em um jogo com uma arbitragem polêmica, o mengão precisa vencer o Grêmio no Maracanã para ser campeão. Com o tropeço do São Paulo, o clube carioca pode conquistar o título no último jogo mais fácil entre as conquistas anteriores. Confira os seis motivos para acreditar no hexa.

Maracanã lotado

O Flamengo sempre foi muito forte no maior estádio do Brasil. O clube conquistou em 2009 o tricampeonato consecutivo contra o Botafogo no estádio, se tornando o maior campeão do estado, superando o Fluminense. O time já levantou vários títulos no Estádio Mario Filho, inclusive o Brasileirão

Adriano

O imperador não jogou a última partida contra o Corinthians por ter sofrido uma queimadura no pé, mas deve ser presença certa no jogo final. Junto com Petkovic, Adriano tem decidido nas últimas partidas e como ainda briga pela artilharia da competição, vai querer deixar a marca.

Torcida

Uma das maires do mundo, a torcida do Flamengo está carente do título brasileiro. Cansada de ganhar apenas o estadual, a torcida abraçou o time e foi fundamental na campanha da equipe. O Flamengo é o time com a maior média de público da competição e também com a maior arrecadação (Dados referentes até a rodada 36). Com promessa de Maracanã lotado, a torcida deve mais uma vez fazer a parte dela.

Bruno

Se na frente Adriano e Petkovic têm garantido os gols, o grande responsável pela defesa rubro-negra é o goleiro Bruno. Além de defesas sensacionais, o goleiro se destacou por defender muitos penaltis durante o Campeonato. Ídolo da torcida, Bruno tem a confiança e crédito com a nação.

Jogo contra o Grêmio

A rivalidade com o tricolor gaúcho é antiga. Os clubes já decidiram Campeonato Brasileiro. Em 1982, o Flamengo conquistou o segundo título nacional contra o time do Rio Grande do Sul. Mas a rivalidade para o Grêmio na última rodada será outra. O rival Internacional ainda briga pelo título e depende de pelo menos um empate do tricolor contra o Flamengo. No último jogo do Grêmio, parte da torcida do tricolor gritou para o time deixar o Flamengo ganhar para evitar o título do Inter. Outro bom motivo para acreditar na vitória é que o Grêmio tem o pior aproveitamento como visitante no BR09. O time gaúcho deve escalar um time misto para o jogo. Motivos de sobra para a torcida do mengão acreditar.

Nunca foi vice

Quando chega ganha. Esse é o Flamengo no Brasileirão. O time carioca nunca foi vice-campeão e chegou apenas uma vez em terceiro lugar no campeonato de 2007. Parece que a tradição será mantida.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Para conquistar a América

Antes do fim da temporada, diretoria do Corinthians já tem quase tudo pronto para o ano do centenário

2009 já acabou. Pelo menos para o Corinthians sim. E para quem pensa que não, 2010 já começou para o timão. Antes mesmo de acabar o BR09, a equipe de Mano Menezes já contratou quase toda a equipe do centenário. Iarley, Tcheco, Ralf e Roberto Carlos já estão arrumando as malas para o Parque São Jorge.

Mano Menezes garantiu em uma entrevista que terá o time completo antes do início da pré-temporada. Assim como aconteceu neste ano, isso deixa o Corinthians um passo a frente dos rivais. A chegada de mais um zagueiro e um meia encerrariam as contratações da equipe. Os nomes da diretoria são o astro argentino Riquelme e o zagueiro Alex Silva, ex-São Paulo e seleção brasileira.

Como essas contratações são complicadas, o Corinthians já teria um plano B. O meia Leandro Domingues do Vitória e o zagueiro Leandro Castan do Barueri podem chegar.

O que quero dizer com tudo isso? O Corinthians tem um planejamento já defido e os nomes na mesa. Esse seria o segredo do sucesso para o timão repetir o primeiro semestre de 2009 e conquistar a Libertadores no ano do Centenário.

Além disso, o planejamento de marketing da equipe vai crescendo cada vez mais. Assim como ocorre na Europa, o time antecipou a venda dos três jogos que mandará em casa pela Libertadores e terá uma renda extra para começar a temporada. O time já vendeu mais da metade dos ingressos para os sócios-torcedores.

Uma renovação recorde com a Nike e os patrocinadores conquistados com a ajuda de Ronaldo, levaram o Corinthians a um patamar financeiro acima do nível brasileiro, comparado apenas com o já consagrado São Paulo. Ronaldo promete mais e a Fiel pode esperar novidades em breve.

CT e Estádio

O CT do Parque Ecológico que tem previsão para ser entregue completamente em Setembro de 2010, quando o clube completa 100 anos, será de primeiro mundo. Além de ser feito com padrões ecológicos, será um dos melhores do mundo e poderá ser utilizado por um dos países na Copa de 2014.

Outra grande novidade é em relação ao estádio. O presidente Andrez Sanches e o diretor de marketing, Paulo Rosemberg não querem que o Corinthians passe o centenário sem uma decisão sobre o estádio do clube. Os diretores deram um ultimato a prefeitura de São Paulo quanto a concessão do Pacaembu. O prazo é até o fim de 2009. Se nada for definido, o presidente do timão já tem uma boa proposta em mãos. O grupo Advento, uma empresa empreendedora, entregou uma proposta de estádio em que o clube não arcaria com nenhum custo para levantar o estádio em Itaquera. O problema é que o Corinthians receberia uma parcela menor quanto a receita gerada pela venda de camarotes e cadeiras cativas. Com o Pacaembu, o Corinthians teria toda a receita.

A decisão porém esbarra na decisão da prefeitura liberar a concessão do estádio municipal. O que se fala é que a proposta da construção do estádio é viável e que poderia ser aceita para abafar uma provável perda da Libertadores.

Caso vença a competição continental, os torcedores fieis poderiam se gabar de ter as conquistas mais desejadas no ano mais especial da história do clube. Sonho? Sim, mas plenamente possível.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Missão Honduras

O editor e fotógrafo, Wilson Pedrosa conta como foi a viagem dele a Honduras

Na terça-feira (3) de agosto, o editor e fotógrafo, Wilson Pedrosa, esteve no IESB para contar como foi a viagem a Honduras e os detalhes da convivência com jornalistas, pessoas de outros países e com o presidente deposto do país, Manuel Zelaya.

Hoje no jornal “Estadão”, Pedrosa disse que estava na Colômbia quando foi chamado pelo jornal para ir para Honduras. “Procura a embaixada de Honduras e consegue um visto para ir para lá. O presidente Zelaya entrou na embaixada brasileira. Esquece o que você está fazendo na Colômbia que queremos você lá”, disse o fotógrafo, explicando como foi chamado para ir para Honduras.

Com o aeroporto de Honduras fechado, as alternativas para entrar no país eram por Nicarágua ou El Salvador. Optando por El Salvador, Pedrosa e a equipe selecionada pelo Estadão embarcaram para o país. O primeiro problema enfrentado pela sucursal foi o cancelamento dos veículos que levariam a equipe de carro a Honduras. Motivo: era muito perigoso atravessar a fronteira, pois o país vizinho já estava em estado de sitio.

Graças a um contato com uma das pessoas que ajudaram na viagem, a equipe conseguiu um acordo por 300 dólares para algumas pessoas os deixarem em Honduras. Primeiro, um carro os levou até a fronteira. Eles atravessaram o caminho a pé, pois o carro de El Salvador não poderia atravessar e pegaram outro carro já dentro de Honduras.

No caminho, eles encontraram com alguns personagens, camioneiros, uma mãe com filhos e outros querendo chegar a Honduras. Pedrosa foi apresentando diversas fotografias tiradas durante o caminho até Tegucigalpa, capital de Honduras.

Nas ruas da capital, diversas manifestações contra e a favor de Zelaya. Duas embaixadas eram fortemente vigiadas pela polícia, a do Brasil e a americana. Para entrar em contato com seus veículos de comunicação, muitos jornalistas utilizavam a estrutura de uma franquia de uma lanchonete americana que ficava próxima a embaixada brasileira. O serviço de wi-fi da lanchonete a transformou quase numa sala de imprensa.

Na embaixada, Pedrosa fez a maioria da reportagem, já que o repórter que estava junto com ele saiu dois dias depois. Quem saia da embaixada não conseguia voltar depois.

Histórias curiosas como o metal que o Zelaya colocou na janela do escritório para evitar radiações que viessem de fora, o porta-chapéus do Zelaya (um rapaz que carregava um chapéu para o presidente onde quer que ele fosse), o chapéu em cima da TV nos jogos da seleção de Honduras, tudo isso e outras histórias em belíssimas fotos documentadas por Pedrosa.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

“A Record não escolhe candidato”, diz Azenha

Em Palestra no IESB, Luis Carlos Azenha fala sobre a blogosfera e os motivos pelo qual saiu da Globo

Na semana entre 26 e 30 de outubro, a Escola Livre de Jornalismo e o IESB (Instituto de Ensino Superior de Brasília), realizaram um ciclo de palestra na faculdade sobre o grande crescimento dos blogs e a importância deles para a mídia. Entre os palestrantes, jornalistas conceituados e com blogs com milhares de acessos diários como Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Viana e Marco Weissheimer.

Na palestra de Luiz Carlos Azenha, na terça-feira (27), o jornalista contou sua trajetória e os motivos que o levou a criar o blog. Durante a passagem pela Rede Globo entre 2001 e 2006, Azenha trabalhava como correspondente internacional em Nova York. Ele tinha 40 segundos na emissora para transmitir sobre economia e política na emissora. Com tempo disponível, Azenha decidiu criar um blog próprio.

Mas o blog de Azenha não teve sucesso logo de início. Durante as eleições de 2006, Azenha percebeu que diversas matérias transmitidas pela Globo eram contra o governo atual e a favor da oposição. Ao ficar sabendo que a Globo não pretendia transmitir uma gravação sobre o “Escândalo das Ambulâncias” que prejudicaria o candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB), o blogueiro recebeu a gravação e publicou no blog. Aquilo foi uma febre e os jornais que eram contra ou fingiam não saber do escândalo, publicaram a notícia.

Os interesses da mídia ficaram mais claros e muitos jornalistas criaram blogs para debater e esclarecer esses fatos na rede.

Azenha disse que os blogs estão tendo cada vez mais usuários acessando e que o blog dele já recebe mais visitas que portais de grandes revistas. Apesar disso, ainda não é possível ganhar dinheiro para viver apenas do blog. “O que eu recebo de propaganda no blog, apenas me permite pagar mais dois colegas que trabalham comigo”, falou o jornalista.

O blogueiro, porém, acredita que em um médio prazo, veremos muitos jornalistas vivendo apenas dos blogs. “Com o crescimento da audiência da blogosfera, os principais meios de comunicação perderão um pouco de influência e veremos grandes jornalistas trabalhando apenas para os blogs” ressaltou Azenha.

Sobre a escolha de mudar para a Rede Record, ele disse que foi pela liberdade. “A Record me deixa escolher pauta e escrever meu texto, além de não escolher candidato”, concluiu o palestrante.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nelsinho Piquet: talento ou oportunismo?

O início nas pistas do piloto que se envolveu no mais recente episódio de sabotagem na F1

Ao longo dos anos, a Fórmula 1 - categoria de maior prestigio do automobilismo mundial – passa por diversas polêmicas. Na última delas, Nelson Angelo Tamsma Piquet, 24, mais conhecido por Nelsinho Piquet, confessou ter batido o carro intencionalmente para favorecer a corrida de seu então companheiro de equipe, Fernando Alonso.

Segundo Nelsinho, ele provocou o acidente para melhorar sua posição na equipe e conseguir a renovação de contrato para as próximas temporadas. Muitos pilotos da categoria questionaram a atitude de Piquet, inclusive o brasileiro Rubens Barrichello que disse que Nelsinho não deveria mais correr.

Como Nelsinho conseguiu chegar na F1 tão jovem após conseguir resultados impressionantes e ao mesmo tempo ter sua carreira ameaçada na principal categoria do automobilismo? Seria o fim da linha para o jovem piloto?

Aos 8 anos, Nelsinho veio morar em Brasília, trazido pelo pai que queria transformá-lo em um grande piloto. Até então, Nelsinho morou com a mãe Sylvia Tamsma, em Mônaco na França.

O pai Nelson Piquet tinha largado a F1 há pouco tempo, e devido a diversos compromissos, o tricampeão mundial não tinha tempo para acompanhar o filho. Para preparar Nelsinho, o pai contratou pessoas de confiança e trouxe bons treinadores para o filho. Agnaldo Camba é o grande responsável pela trajetória de sucessos de Nelsinho antes da F1. Ele treinou o filho de Nelson do início no kart até a categoria GP2, principal ponte para a elite do automobilismo.

Nelsinho sempre teve tudo do melhor. Desde a categoria “Cadete”, para garotos entre oito e onze anos, o garoto não tinha apenas incentivo, mas a melhor estrutura possível. Ele tinha um kart para cada tipo de pista, seja asfalto molhado, seco, asfaltos pouco ou muito abrasivos, para circuitos com muitas retas ou curvas, tudo escolhido e preparado para ele ser o melhor.

Mesmo com tanto investimento, os primeiros anos de Nelsinho não foram satisfatórios. Do início em 1993 até o primeiro título foram quatro anos, quando ele conquistou o Campeonato Brasiliense e o Brasileiro de 1997. Algumas pessoas que trabalham nos bastidores de onde o piloto começou, dizem que ele não tinha muito talento para correr. “O Nelsinho foi feito piloto e não nascido para ser piloto”, disse Todinho, um dos mecânicos que viram o começo do ex-piloto da Renaut.

No começo do Kart, Nelsinho era descontraído e andava naturalmente entre os boxes de outros pilotos e amigos do início da carreira. Mas depois de um tempo, criou desavenças nas corridas, o que o tornou um piloto mais sério, de poucas palavras e mais comprometido com resultados.

No kart, a diferença entre os carros é muito pequena. Detalhes como o jogo de pneus faz muita diferença. Correr com pneus novos faz o piloto ter melhor rendimento na pista. Para Nelsinho estar na frente, a troca de pneus era mais freqüente que dos adversários. “Muitas vezes eu vi o Agnaldo trocar os pneus do carro do Nelsinho com pouco mais de dez voltas corridas. Para ninguém pegar o jogo pouco usado, ele rasgava na nossa frente”, disse um dos pilotos que corriam com Piquet.

Nelsinho sempre foi cobrado para ser o melhor. Aos poucos foi se tornando um piloto vencedor. Treinava bastante para acertar cada curva e fazer tempos mais baixos. No Kartódromo Ayrton Senna, no Guará (DF), Nelsinho tem até hoje o recorde da pista com 35,20 segundos, conquistado quando estava na categoria “Graduado B”, para pilotos com mais de 14 anos, promovidos da categoria “Novato”.

Depois que Nelsinho entrou na F1, Agnaldo Camba deixou de acompanhar o piloto. No momento ele prepara o filho mais novo de Nelson Piquet, o garoto Pedro Piquet. Diferente de Nelsinho, Pedro conseguiu resultados expressivos desde o começo de sua carreira. Recentemente ele foi promovido para a categoria “Junior Menor”, para garotos entre 11 e 13 anos.

Pedro treina geralmente três vezes por semana entre o Kartódromo do Guará e o Autódromo Nelson Piquet, na Asa Norte, em Brasília. Vigiado de perto por Agnaldo, o garoto demonstra talento e se prepara forte para seguir os passos do pai.

Passado a crise, Nelsinho sabe que seu nome está marcado e será sempre associado ao escândalo. O ex-piloto da Renaut quer começar do zero para limpar o erro que cometeu e voltar um dia a correr de fórmula 1, para tentar realizar o sonho de ser campeão mundial.

Acervo

O tricampeão mundial de F1, e precursor dos filhos, Nelson Piquet, é empresário em diversos ramos de atuação e acompanha de perto as carreiras de Nelsinho e Pedro Piquet. No autódromo de Brasília - que leva o nome dele - Nelson Piquet tem um grande espaço onde guarda diversos karts desde a época em que Nelsinho corria, até os primeiros passos de Pedro. A criação de um museu com preciosidades da família Piquet no automobilismo, não está descartada pelo patriarca.

Autódromo Internacional Nelson Piquet – Brasília DF



Largada – 1993 – Nelsinho começa sua carreira no Kart com 8 anos.

Curva 1 – 1997 – Depois de um início sem alarde, o piloto consegue seus primeiros títulos: Campeão Brasiliense e Brasileiro de Kart.

Curva 2 – 1998 – Nelsinho vence o Campeonato Brasiliense, mas deixa escapar o Brasileiro de Kart

Curva 3 – 1999 – Na principal categoria estadual do Brasil, Nelsinho vence o Campeonato Paulista, além do Brasiliense e da segunda conquista do Brasileiro.

Curva 4 – 2000 – Na última temporada no Kart, Nelsinho vence o Brasileiro pela terceira vez.

Curva 5 – 2001 – Estréia na F3 Sul-Americana na sexta corrida, após completar 16 anos

Curva 6 – 2002 – Na temporada seguinte, conquista o título vencendo 13 das 18 corridas, além de fazer 16 poles.

Curva 7 – 2003 - Após o sucesso na América do Sul, Nelsinho vai disputar a Fórmula 3 Inglesa. Com a própria equipe “Piquet Sports”, o brasileiro ganha reconhecimento internacional e é chamado para fazer teste na equipe “Willians” de Fórmula 1.

Curva 8 – 2004 – No ano seguinte, Nelsinho conquista o título da F3 inglesa e se torna o piloto mais novo a vencer na categoria.

Curva 9 – 2005 – Nelsinho estréia na recém criada GP2, idealizada para ser a principal categoria de acesso a F1.

Curva 10 – 2006 – Na segunda temporada na GP2, Nelsinho conquista o vice-campeonato, atrás apenas do britânico Lewis Hamilton

Curva 11 – 2007 – Nelsinho é contratado para ser piloto de testes da Renaut.

Curva 12 – 2008 – Ao lado do bi-campeão mundial Fernando Alonso, Nelsinho se torna titular da Renaut.

Chegada – 2009 – Nelsinho é afastado da Renaut e confessa escândalo envolvendo equipe.