Ocorreu um erro neste gadget

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Telejornal Iesb

Telejornal produzido no IESB com apresentação de Leandro Aislan e Jaqueline Santos.

Parte 1



Parte 2



Parte 3

Identidade Racial

Matéria que eu fiz para o Telejornal do IESB. Neste Bloco: Censo 2010 - Questões raciais (Repórter: Leandro Aislan); Pré-natal masculino (Repórter: Renata Rios); Chuva e trânsito (Repórter: Millene Araújo); Previsão metereológica (Repórter: Taíza Alves).

domingo, 3 de abril de 2011

Vencedor do Prêmio Jabuti 2010 fala sobre literatura e carreira

José Rezende Jr. deixou o jornalismo em busca do prestígio e da felicidade como escritor

O escritor José Rezende Jr. esteve nesta sexta-feira, 1 de abril, no Instituto de Educação Superior de Brasília, na Asa Sul, para falar sobre a carreira como jornalista e os livros que escreveu. O mineiro que vive em Brasília há 24 anos, foi um dos vencedores do prêmio Jabuti, uma das premiações de maior prestigio da literatura no Brasil, com a obra “Eu perguntei pro velho se ele queria morrer e outras estórias de amor”.

Ganhador na categoria “contos e crônicas”, José Rezende diz que abandonou a carreira de jornalista para se tornar escritor. “Apesar de muitos colegas que trabalham no jornalismo conseguirem escrever livros, para mim não dava. Ou escolhia um ou outro, e decidi escrever livros”, conta o escritor que diz ser apaixonado por literatura. “Desde criança já lia gibis do Batman e do Homem Aranha. Depois comecei a me interessar por clássicos como “Don Quixote” e “Os três mosqueteiros”.

Antes de escrever seu primeiro livro “A Mulher-Gorila & outros demônios”, de 2005, trabalhou como jornalista no Jornal do Brasil, O Globo, Isto É e no Correio Braziliense, onde neste último, ensinava colegas em uma oficina promovida pelo jornal a se adaptar a nova linguagem do jornal. “Um dia o diretor do jornal chegou e disse que não queria mais lead nas matérias. Todos se assustaram, mas eles queriam que não fosse mais aquele lead no formato “quadrado” com as informações no primeiro parágrafo”, explica José Rezende.

Para escrever seus livros de conto, ele diz que adota dois temas principais: a vida e a morte. “O amor e o desamor servem de inspiração. Mas não basta apenas isso para escrever contos. É necessário precisão, ser exato e puro, além de ler bons livros de literatura”, completa o escritor.

Na última obra que escreveu “Estórias Mínimas”, José Rezende faz uma série de contos com até 140 caracteres. A ideia partiu de uma coluna que ele tinha no Terra Magazine, onde tinha que escrever contos mínimos. Ele espera que o livro possa ser premiado na próxima edição do Jabuti, e não se diz preocupado em ganhar dinheiro com a literatura. “O importante é o prestígio”, diz o autor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O verdadeiro mito

Há um certo tempo venho recebendo convites de amizades de pessoas que eu não conheço no orkut. Em um primeiro momento, notei que a maioria eram corinthianos. Como não costumo aceitar convites de desconhecidos, recusei a maioria deles pelo perigo que as redes sociais podem causar.

Em alguns dos convites que recebi, vi pessoas me elogiando e me enaltecendo, mas não sabia o motivo. Foi quando eu entrei em um link enviado por um dos dos usuários do orkut da Comunidade CORINTHIANS, e vi um post criado por mim em 30 de setembro de 2006.

Com o título "Copa 2014 = Fielzão", comecei a reler o tópico que escrevi (muito mal escrito por sinal), até pela coincidência do estádio corinthiano ter sido anunciado recentemente como a provável sede de São Paulo da próxima Copa do Mundo.

Na época, o Brasil ainda não tinha sido eleito o país sede de 2014, a MSI estava em crise com o Corinthians e Alberto Dualib continuava com sua ditadura no clube. Eu dizia no texto que o Corinthians tinha uma grande oportunidade de construir um estádio caso o Brasil fosse sede em 2014, mas antes era necessário que o Dualib saísse da presidência, o estatuto fosse alterado, e o time construísse um centro de treinamento (CT).

Por incrível que pareça, tudo isso aconteceu. Um membro da comunidade que lembrava das minhas palavras em 2006, colocou o tópico novamente entre os primeiros a serem lidos. A partir daí começou a história do mito, e fui entender porque tantos corinthianos me adicionavam no orkut.

Uma lenda, Marty Mcfly, visionário, vidente, várias pessoas começaram a reponder o tópico me chamando de profeta por ter acertado esses fatos. Muitos começaram a dizer que eu vinha do futuro e pediam o número da mega sena. Outros postaram imagens minhas como o protagonista dos filmes "De Volta Para o Futuro" e de "O Exterminador do Futuro".

Quero deixar claro que não vim do futuro, mas que a viagem no tempo é possível. Mas isso fica para um outro post.

Queria apenas exclarecer porque disse isso na época. Não era uma coisa tão complicada de se prever, afinal, o Corinthians era grande e pequeno ao mesmo tempo. Um time que tinha um grande potêncial, a maior torcida do Estado mais rico do país, e contava com jogadores como Carlitos Tevez, Mascherano, e outros "galáticos", não podia treinar em condições precárias e não ter um estádio.

O que precisava mudar? Tirar o ditador e mudar o estatuto. O que aconteceria depois disso? O time que já era grande ia ficar gigante. CT, estádio, grandes jogadores (Ronaldo e Roberto Carlos), o Corinthians ia despertar e ninguém iria segurar.

Estamos hoje no meio de todo esse processo que teve início graças a um verdadeiro mito. Mas este mito não sou eu. Ele se chama Andrés Navarro Sánchez, e para mim está sendo o melhor presidente da história do alvinegro paulista.

Foi ele que bateu de frente com o ditador, mudou o estatuto, construiu o CT e levantará o Fielzão. Se eu disse tudo isso em 2006, foi porque um tal de Andrés já cantava a pedra na época. Mas o mito ainda está lá . Ele é uma lenda viva, e o melhor de tudo, ainda é o presidente.

PS: Acho que o estádio com o nome de Leandrão não ficaria legal.

Veja o tópico no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=2513646&tid=2490248366376495028&na=2&nst=189

Leandro Aislan no Twitter: @leandroaislan

Membro do orkut diz que viajei no tempo

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pausa para uma nova etapa

A partir desta quinta-feira (15), iniciarei uma nova etapa na minha carreira profissional. Estarei na EBC, empresa responsável pela TV Pública,tanto falada no Governo Lula, a TV Brasil, o canal 2 para os brasilienses sintonizados no VHF, a Rádio Nacional e a Agência Brasil.

Mas este tópico não é para falar disto, afinal, a minha história lá ficará para um texto futuro. Estas palavras são para retratar o meu primeiro ano com trabalhos na área de jornalismo.

Tudo começou quando deixei a escola de idiomas Wizard em março de 2009, empresa que trabalhei por mais de três anos. Lá aprendi muito de comunicação e interação pessoal. Durante o período fiz cursos de inglês e espanhol. Não estou fazendo propaganda, mas os cursos desta escola são ótimos.

Meu objetivo ao sair da “escola de bruxos” era começar a trabalhar na área de jornalismo. Naquela época estava no meu terceiro semestre do curso de Comunicação para a área no IESB.

Sempre fui muito apaixonado por esportes e nunca escondi minha paixão por futebol, principalmente pelo “Todo Poderoso” Corinthians. Uma oportunidade na área de esportes era o que eu queria naquele momento.

Foi quando conheci o pessoal do “Clube do Esporte DF”, uma equipe disposta a mudar a cobertura de esportes em Brasília com uma proposta inovadora. Fábio Grando, Felipe Linhares e Rener Lopes eram os cabeças da equipe que além do site com atualização diária, ainda comandavam a Rádio Esportes Brasília.


O Objetivo daquilo tudo era cobrir tudo de esporte que estava acontecendo na capital Federal. Durante os seis meses que fiquei por lá, realizei vários sonhos que tive desde criança. Fazer a cobertura dos treinos e jogos das equipes que disputavam os campeonatos de futebol em Brasília, reportagem dos jogos dentro de campo e muito mais.

Tive a oportunidade de fazer dois campeonatos na época. O primeiro Campeonato Brasileiro da Série D e a segunda divisão do Campeonato Brasiliense, ambos ainda em 2009. Gostei muito de cobrir a segundona local, principalmente por ver os botafoguenses apoiarem o seu novo time do DF. A final contra o Ceilandense foi emocionante. O “Foguinho”era campeão até os 47 do segundo tempo, mas levou mais um gol e a maioria botafoguense no estádio que já soltava o grito de “é campeão”, se calou.

Mas foi a campanha do Brasília na série D que mais me cativou. O colorado conseguiu uma classificação heróica na primeira fase, mas sucumbiu diante da força mineira na segunda fase. Sou Guaraense de criação, mas posso dizer que depois de acompanhar de perto o Brasília, sou colorado aqui no Planalto Central.

Eu já me considerava um jornalista esportivo, mas queria conhecer novos horizontes. Foi quando entrei para a Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC). Ali passei a escrever mais e de uma forma mais restrita. Tínhamos que seguir um estilo de assessoria. Nisto o meu colega Zonda me ajudou bastante. Aprendi muito com este excelente jornalista que é conhecido e respeitado por muitos na área cultural e de mídias livres.

Mas o que mais me marcou na SCC foi a Teia Brasil 2010 (maior encontro de diversidade cultural do país), em Fortaleza-CE. O evento era o que mais preocupava a todos no trabalho, pois grande parte da organização era realizada pela equipe da SCC. Os meus primeiros meses lá foram produzindo notícias para a Teia Brasil e outras Teias que aconteciam por outros estados no país.

Muita agitação, correria, estresse e nada de folga. Era assim que as pessoas ligadas a organização do evento estavam. Eu estava encarregado de participar da comunicação colaborativa do evento e ganhei uma grande responsabilidade com isso. Coordenar a equipe responsável pelo texto. Era um trabalho de editor. Pautar cada um e depois ajudar na publicação dos textos, além de ter que fazer minhas próprias matérias também.

É ai que entra um grande parceiro. Meu amigo Italo Rios que trabalhava comigo na SCC como designer. Nós estávamos dividindo o quarto em Fortaleza e acabei levando ele comigo para as matérias. Além de um grande designer, ele é um excelente fotógrafo. De todas as fotos que vi do evento, as deles foram as que mais traziam o sentimento do que tudo aquilo representava. Sorte minha que estava com ele como meu “fotógrafo particular”.

Aquela experiência valeu demais para minha carreira. Posso dizer que amadureci alguns anos levando toda aquela responsabilidade. Aproximei-me muito de todos e posso dizer que ali formamos uma família. Os meses seguintes foram tranquilos e muito proveitosos. A saída do Zonda me fez assumir mais responsabilidades. Meus amigos Carlos Costa e Isabelle Albuquerque foram incríveis nesta etapa.

Ainda tive neste último semestre várias publicações em destaque no jornal online do IESB. No impresso eu fui responsável pela diagramação e por uma matéria com destaque e chamada de capa que pouco tempo depois serviu como pauta para matéria de destaque principal de domingo do Correio Braziliense.

Este é um resumo do que foi este meu primeiro ano como jornalista. Hoje tenho mais do que certeza de que escolhi a profissão correta. Vamos para a Rota EBC.

Um abraço especial para todos os amigos citados no texto acima.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Parece que foi ontem, parece que chovia


O dia era quatro de dezembro, o ano 2005, 6h da manhã. A ansiedade de estar em um jogo que podia valer mais um título para o timão era grande. Apesar de ser brasiliense, tive o privilégio de estar na final da Copa do Brasil de 2002 no Serejão contra o Brasiliense. Ali foi um verdadeiro batizado. Minha camisa preta do Corinthians tem as marcas de queimado das faíscas dos sinalizadores até hoje.

Depois de sair de casa, passei na casa do meu amigo Thiago, fiel corinthiano que está quase sempre presente comigo nos jogos do timão. O destino era Taguatinga. Dalí sairia cerca de dez ônibus cheios de fanáticos pelo time do povo. O jogo começaria às 16h, parecia estranho sair tão cedo (9h) de Brasília para uma viagem de menos de 3h. Mas com o Corinthians é tudo mais difícil. Devido a fiscalização, pessoas sem RG, menores de idade e outros problemas, a viagem para Goiânia, parecia que era para o Rio, vamos invadir o Maracanã novamente?

Muita batucada e festa durante toda a viagem. O ônibus respirava e cantava Corinthians. A chegada ao local do jogo foi tumultuada. Faltando apenas dez minutos para o início do jogo, o bus estacionou ao lado do estádio. Ingressos devidamente na mão, hora de enfrentar mais 15 minutos de fila. Lá atrás na fila, escuta-se uma voz, em meio aos gritos de CORINTHIANS, CORINTHIANS:

- Vamos rapaziada, o jogo vai começar. É Corinthians mêu!

Ao passar pelas catracas com o Thiago, hora de achar um lugar para ver o jogo:

- Bora Thiago.

- Não começou ainda, o gramado está cheio de gente.

Com as arquibancadas completamente lotadas, os fiéis torcedores se apertavam para arrumar um espaço para ver o jogo. Vendo rapidamente, parecia que as torcidas estavam divididas meio a meio, mas dava para perceber que a torcida do timão se espremia na sua parte do estádio, enquanto do lado verde do Goiás havia alguns espaços vazios.

Com atraso do início do jogo, vem uma notícia de um torcedor ao lado:

- Gol do Coritiba!

Festa geral no estádio. O Internacional precisava de uma goleada contra o Coritiba para tirar o título do Corinthians. O gol relâmpago antes do jogo do timão começar foi um alívio. Ali percebi que era só esperar os 90 minutos.

O que aconteceu todos sabem. Os “galácticos” comandados por Carlitos Tevez deram um show e apesar de não vencer, o timão fez a alegria do povão.

- Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor.

Era o que gritavam os mais de 20 mil fiéis no Serra Dourada.

Novo Bandeirão

Pela última vez na história, os Gaviões da Fiel levantaram o seu lendário bandeirão que era na época o maior do mundo. Visivelmente desgastada, a bandeira estava cheia de remendos. Nada melhor que um título brasileiro como despedida. Tocá-la pela última vez foi um sonho.

Mas a história do bandeirão histórico não acabou ali. O adereço foi cortado em vários pedaços e vendido para vários torcedores como lembrança. O dinheiro arrecado foi destinado para criação de uma nova bandeira. Esta com 15 mil metros quadrados (250m x 60m), mostra por meio dos escudos corinthianos e também dos Gaviões, a história centenária do Poderoso Timão.

Por que estou escrevendo isto? O novo (bandeirão 5) será inaugurado domingo contra o Palmeiras no Pacaembu. Eu serei mais um louco do bando que estará subindo pela primeira vez a maior de todas as bandeiras do mundo.

É a história do Corinthians e de seu povo que nos faz ser diferentes dos outros...

... Teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição.

Gaviões da Fiel levanta metade do novo Bandeirão 5

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O futuro da internet

O texto a seguir de José Paulo Cavalcanti de "O Estado de São Paulo" é uma ótima reflexão dos tempos de hoje e sobre o que supostamente vamos fazer com a internet. Ela foi criada com objetivo governamental e hoje está mudando o jeito das pessoas se comunicarem e até de se relacionarem. Confira o texto na integra.

O símbolo do herói moderno, para o filósofo italiano Umberto Galimberti (Il Gioco Delle Opinioni - O Jogo das Opiniões), deveria ser Ulisses, rei de Ítaca, por ter inventado o cavalo de Troia, em cujo ventre se esconderam soldados que à noite abriram as portas da cidade. Porque seria Ulisses portador dos valores básicos que se exigiria de uma sociedade moderna, mentira e astúcia. Retraduzindo essas palavras, para dar-lhes mínimos de dignidade, astúcia passa a ser a "capacidade de encontrar o ponto de equilíbrio entre forças contrárias". Enquanto mentir significa "habitar a distância que separa aparência e realidade"; e, também, "escapar da ingenuidade dos que acreditam que as coisas são, sempre, o que aparentam ser". Com Ulisses, inaugura-se a dupla consciência da realidade e sua máscara. É também o que se passa com a internet, na oposição aparentemente inconciliável entre o hoje e o amanhã. Posto que soluções dadas, atendendo ao que parece indispensável ou razoável no presente, serão capazes de comprometer irreversivelmente o futuro; enquanto a só espera plácida por esse futuro, hoje implausível, pode ser suficiente para degradar o presente a ponto de torná-lo intolerável.

O cenário desse aparente drama é que nos estamos convertendo em uma civilização impressentidamente nova, provavelmente nem pior nem melhor do que as anteriores. Apenas diferente. E talvez ainda não sejamos capazes de compreender, em toda a sua extensão, o "mito da idade da informação". São outros os valores, outros os padrões de organização social, outros os processos de transmissão de conhecimento, alterando as bases tradicionais da economia, da religião, da história, da própria cultura. E a questão já nem é saber se as novas tecnologias da informação vão alterar nossa maneira de viver, mas como o farão. Esse desenvolvimento extraordinário se processa em duas dimensões principais. Uma técnica, que corresponde à melhoria crescente na quantidade, na qualidade e na velocidade de transmissão da informação; outra cultural, interferindo em nossos padrões de convivência, produzindo o que François Brune (A Comunicação Social Vítima dos Negociantes) chama de "mercantilização do imaginário". Nossas cidades, não por acaso, são povoadas por cinderelas suburbanas que sonham, secretamente, com o fausto implausível de uma outra vida que nunca terão. Suspirando escondidas em seus quartos humildes, à espera do príncipe encantado em que se converte diariamente o galã da novela das 8, nas televisões; ou amigos, alguns próximos outros inatingíveis, nos orkuts da vida. Condenadas a viver vidas paralelas, como se a miséria de suas existências exigisse o contraponto desse eldorado a que se chega apenas girando um botão. Ou tocando algumas teclas.

Para o filósofo espanhol Ferrater Mora (Dicionário de Filosofia), "o paradoxo fascina porque propõe algo que parece assombroso seja como se diz que é". E o paradoxo, para a internet, é a pretensão de que deva ser, necessariamente, a única atividade livre de controles democráticos. Porque relações em comunidade são, sempre, construídas a partir de controles sociais. Temos interferências em todos os setores. No tráfego, só podemos dirigir com carteira de habilitação, o carro deve ser emplacado, o cinto de segurança é obrigatório, o sinal vermelho deve ser respeitado, temos contramão, estacionamento proibido, velocidade máxima permitida, e nunca ninguém pensou que esses limites possam violar a liberdade de locomoção, sagrada na Constituição como direito individual e cláusula pétrea. Sendo natural que algum tipo de controle social, democrático, se opere também em relação à internet. Um controle que decorrerá de sua inevitável regulamentação. A internet vai ser regulada quando estiver pronta para ser regulada. Vai mudar, precisamente, para poder ser regulada. Em outras palavras, vai poder ser regulada porque vai mudar. No futuro, claro, quando estivermos todos mortos, talvez. Provavelmente, deixando de ser a internet como a conhecemos hoje, para ser algo parecido. Mantendo só o nome. Ou nem isso.

Apenas para constar seja aqui dito que, no coração das pessoas, pouco a pouco foi-se dando a tragédia. Acabamos confiando nas máquinas cegamente. Primeiro no computador, claro. Depois na internet. Perdemos a razão crítica. Nos desacostumamos a questionar. Duvidar, para gente demais, acaba sendo heresia. Se Deus é onisciência, o novo deus da gurizada existe mesmo, e seu nome é Google (por enquanto). Segundo uma lenda moderna, máquinas não erram. Problema é que erram, por erro do programador ou por conta própria. Estamos desaprendendo a beleza de errar por nossos próprios erros. Tempos faz pesquisei onde estava a mesa, nos velhos romances; e era, sempre, o lugar mais importante da casa. O centro da vida familiar. Na sala de jantar de outros tempos nos olhávamos de frente, uns para os outros. Depois veio a televisão. A família passou a ficar no sofá, ombro a ombro, com a tela na frente. Depois de olhos nos olhos, orelha a orelha. Passamos a nos falar de lado. Sem mais dar importância ao brilho no rosto das pessoas queridas. Mas, na televisão, a gente ao menos está (quase) sempre acompanhado. Computador, ainda pior, é hábito de quem não gosta de olhar de frente. De quem não gosta de gente. Quantos de nós passamos noites inteiras na companhia dessas máquinas que só respondem o que lhes perguntamos? Sem mais tempo para encontrar os amigos. Para jogar dominó em fins de tarde. Estamos começando a viver o mundo terrível do futuro. A democracia da solidão. A conclusão dessa pequena fábula aqui contada, que nem fábula é, será só a de que essa internet de hoje vai mudar. Como também o homem que a digita. Mudarão os dois, pois. Para melhor? Não sei. Ninguém sabe.